terça-feira, 2 de setembro de 2014

Contradição

Poderia dizer que não podemos sem um reencontro, mas isso seria uma grande mentira, já que você seguiu com a vida. Achei que havia encontrado o amor da minha vida. Uma pena você não ter encontrado em mim o que eu encontrei em você.
Falo para você, sabendo que você não vai ler, então falo pro mundo tanto quanto para mim. Eu inventei tudo? Como você podê? Isso importa?
Nunca demandei falsas promessas e antes nem queria tanto, e você meu tudo, me fez lidar com um grande amor e o tomou de mim.

Sobrou-me o rancor de um amor que eu não matei, que eu não quero que morra e o rancor o mantém vivo. Penso que vivo em miséria, para não esquecer quando fui mais feliz na vida e a grande questão desse texto deveria ser o que é ser feliz, mas não é, pela irrelevância da questão quando eu devia responder quem deve me fazer feliz e eu te odeio, porque acredito que a minha felicidade é você.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Roda

Estou obcecado por rodas, o objeto circular tem sido a imagem mais reconfortante. Percebi hoje que ficar em uma fila é reconfortante, mover-se dependendo unicamente do fluxo me liberta de múltiplas escolhas, como a velocidade ou a hora que devo seguir.
Nós não nos desapegamos de um desejo experimentado sem uma troca justa. Hoje pensei que se eu tivesse nascido menina meu pai não teria me abandonado, meninos são maus.
To vivendo a fase anal e acho que é por isso que estou obcecado círculos. Fico feliz, sinto que não estou fálico.
O primeiro foi seu pai, o segundo seu irmão e o terceiro foi você quem roubou seu coração, algo parecido com isso e a onda de Lulu Santos são as canções de ninar que eu recordo de quando criança. Tive a melhor mãe do mundo.
A nostalgia da minha escrita me assusta, mas não ouso negar que a admiro. Por falta de onomatopeia não me expresso melhor, e qual forma terá o seu eleito.

Assim como em circulo retorno ao Édipo.

sábado, 16 de agosto de 2014

Era livre.

Basta ter uma abertura que a criação rompa as frechas da inércia. Bum! Está em movimento. Clarões no meio da escuridão, como se fosse um trem no escuro sendo invadido pela luz ocasional da janela. Sou bastante cinematográfico, mas eu juro que era assim.
Já sei que não posso contar com a sorte, mas eu duvido do potencial criador de Deus, duvido de Deus desde sempre.
Eu confio no tempo, ele sabe o que faz, ninguém mais.
Tenho más notícias, estamos perdendo tempo, mas tá tudo bem, sempre pode piorar.
Como gozar de frutos que não nos foi designado. Desaproprie os mercados, desaproprie o amor.
Acho cômico como escrever é uma reverberação de existir. Agora não consigo mais produzir contos com uma linearidade, minha cabeça é confusa e disforme e essa estruturação não me elucida mais, está tudo desorganizado.
Por no papel qualquer coisa tornou-se uma função de labuta, falar para que?
O saber liberta e estar livre num mundo escravista nada mais é que melancólico. Preciso caminhar agora com essa felicidade melancólica que é abrir os olhos.
Processo segue de forma dolorosa, essa continua força de limpeza que limpa todos as camadas que me constituem, vai caindo a pele morta de ontem, para seguir a nova epiderme, ainda bem que eu tenho fé no tempo.

Processo positivista, programa liberal, ter fé no futuro é o que me mantém escravizado.  

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Ter vezes, voltei a mim.

Três vezes eu voltei a mim, percorrendo uniformemente um caminho complexo, talvez viscoso,
fiascos. Reverberação de uma vida adoecida, mas eu te amo. Julia voltou do campo renovada,
pelo que falou, saudades do campo. Como você está? Eu vou bem, voltei a mim 3 vezes antes de cair, por três vezes voltei a mim e você tem se visto. Nessa época do ano a luz é branca, as coisas são claras, não percebo nada em tanta clareza. Clareou o dia com tinta de sol, mas está frio, estou com frio.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Céu

Eu sou o céu que vive no alto da torre, tempestuoso, mutável e belo. Quem me dera, fluído e mistico como um céu ser, talvez necessário pro outro, ter medo de ser descartado é o que sempre minou as minhas relações, não, ter a certeza que algum momento seria descartado e não saber lidar com a angustia dessa experiencia é o que minou minhas relações, será?
Tem dois dias que a gente se pegou, foi uma graça e tal, mas não sei se quero de novo, não sei se queria sabe, ai que horror. No alto de uma torre vivia uma linda princesa, que arrastava sua saia na praça e piranhava a noite toda. Forma que eu me retraria numa fabula, eu amo todo mundo! Êêê vamu trepá! Muito complicado esse afeto, cheio de culpa, cheio de tristeza, prisões, vergonhas e tabus. Não sei como vocês consegue namorar nesse contexto, namora comigo vai? Epa que doideira, isso é uma delicia.
Compreendo claramente a acusação que nos movemos pra trepar, talvez seja esse o caminho, se a gente trepasse uns com os outros e ia ser muito mais difícil te deram um tiro de borracha na cara e a galera não cair pra cima do policia.
Uma torre que não é prisão, não é tristeza ou fábula, meu lar, o céu do alto da torre.

Genesis

"As vezes sinto saudade da época que tinha uma vida normal, de pessoas normais, dessas que não precisam ler dois livros clássicos por semana pra assistir uma aula... Queria ter uma vida normal dessas de quem tempo pra ler um livro qualquer, de um anônimio qualquer, ou de um clássico pseudo-cult qualquer. É difícil viver a vida nas sobras das páginas obrigatórias, que se arrastam sobre teorias modernas do ser e do estado. É difícil para um pirata do asfalto se trancar em casa com Montesquieu, Maquiavel, Hobbes, Rousseau, enquanto a cidade vive. Difícil mesmo é lhe dar com a retórica que nos assola: Pra que tanto saber? Pra que preciso saber disso tudo? Talvez isso tudo não passe de uma vaidade que não vale essa vida. Temos que saber o suficiente pra compreender o mundo em que vivemos, todo o resto não passa de vaidade intelectual."

domingo, 10 de novembro de 2013

Primeira Vez

Quando o vi, ele tava paradão, olhando pra mim, com uma cara de bunda e eu ri, zombei com a Luísa e fui dançar. Ele em algum momento me abordou e eu estava muito bêbada e um pouco carente, quando eu vi já estávamos nos atracando num táxi.
Acordei na cama dele, só senti arrependimento de não ter ido embora depois do sexo, mas eu gozei tava cansada e derrotada, só ia acordar a Luísa, ela tem um sono leve, iria me gastar de ter ido pra cama com ele, cara, mas eu só queria trepar.

Ele ainda tava dormindo, mesmo com sol batendo no seu rosto, até que assim ele era uma graça, me virei e olhei o quarto, uma zona, mas muito confortável, quando virei pra olha-lo antes de ir sem acorda-lo, ele estava sorrindo pra mim e quando vi esse sorriso, soube que iria passar o resto dos meus dias com ele.