domingo, 11 de agosto de 2013

Fatalidade

Cada sonho depositado se esvairia na fluidez do sangue que jorrava de sua garganta, ela chorava ao perceber que seu filho morrera e ele o havia matado. Casou-se jovem com homem de moral indiscutível, como foi feliz descobrindo a vinda de seu primogênito. Ele odiava o pai a aquela altura, o pai era reciproco ao sentimento, o ambiente fedia quando os dois ocupavam a mesma sala, ela agora muito católica fazia novenas para que a paz voltasse a sua casa. Grávida do segundo, no quarto aniversário do primeiro, o pai o levou para um passei, ao voltarem nada foi igual. Numa noite os dois brigaram e o filho empurrou o pai que caiu batendo a cabeça na mesinha de centro, morrendo instantaneamente, ao entender a fatalidade sentiu que finalmente teria paz, isso até seu filho mais novo dilacerar a garganta do irmão com uma faca, movido por todo ódio do mundo.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Brisa

    Caminhando pelas ruas truculentas do centro, sentindo-se completamente acuada pelo movimento apressado dos outros, como se eles não corressem a vida iria escapar-lhes pelas mãos.

   Ela sabia que correr por um objetivo medonho de atender as ânsias de um emprego ou chegar em casa para seguir a rotina, era sim deixar que a vida escape pelas mãos.

   Quando menos percebera estava numa ruela sem quase nenhum movimento, pôde respirar. Tinha feito um movimento involuntário de  escapar da multidão e assim seguiu olhando as construções.


   Veio o vento, e ele era quente. Primeiro cobriu todo o corpo dela, assim que ela o sentiu.  Depois o vento acariciou seu rosto, beijou os lábios, tocou os seios, desceu os ombros indo as mãos, lambeu a sua vagina e ela gozou. Teve certeza que havia trepado com o mundo.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dance

Recuar sempre foi algo tão difícil, ainda mais pra um menino que nem engatinhou, assim que conseguiu, correu. Uma liberdade cravada na pele, uma forma que influencia todas as relações do mundo. Não pode esperar, não sabe, pulsa, é livre. Recusou veementemente todas as tentativas de o ensinarem a temer.  Chora agora, chora de amor à vida, pega em sua mão e te faz correr também, não pare.  O fez crer que tudo é possível, pois ele realmente acredita nisso, então, por favor, não pare e dance comigo. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Por enquanto, Adeus.

    Acho que depois de ver tanta gente partir, eu já sei quando alguém vai embora pelo cheiro da ultima despedida. Tem um cheiro agridoce da queda de algo belo, da morte da relação.
    Não é nossa culpa, mentira, vou aceitar a culpa. Algo se quebrou na gente, algo surgiu e eu sei que não vamos lidar bem com isso. Não estou feliz, cada minuto que minha cabeça fica vazia de distrações, sinto gradativamente meu coração apertar, hoje chorei de novo, hoje ele apertou tanto que tive medo de enfartar.
    A meu amigo, olha isso, não tenho forças. Não tenho forças pra resistir um distanciamento e não sei se quero resistir a isso. Não esqueço nada, guardo comigo todo o carinho e um dia, que pode ser o depois de hoje podemos renascer.

    Só sei que como estou indo, todo medo é um algoz que agora não posso lidar, não posso lidar quando passo o dia com estomago na boca, enquanto sorrio e digo que tudo tá bem. Desculpa, mas por enquanto é adeus. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

16 cigarros.

16 cigarros em quarenta minutos, tudo corre no mesmo niilismo de ser. Um grito na rua, o sol está quase nascendo e o maxilar não amolece, uma dor forte no estomago, poderia ser as drogas, mas é só o asco do mundo. Decimo sete cigarro e a única preocupação é que eles estão acabando, vai a rua esquivando-se dos olhares curiosos, chega a banca e só fala enquanto larga o dinheiro, “luckystrikered”. Virando a esquina da rua vomita sangue, culpa toda a dor no mundo pelo seu eterno mal estar, vigésimo quinto, ainda não consegue dormir, mas não tem forças pra fumar sentando, está estirado no chão, chora por nada e a dor não passa. Dorme e não acorda. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Bruja

Existe uma bruxa aqui, não se engane sobre isso. Ela vive para nos ensinar a lidar com a força, não é isso de poder não. Lidar com a força motriz em você, uma descarga de energia explodindo pro mundo. Não entenda o mundo de forma simplória, acho que talvez devêssemos pensar o mundo como um reino, nossos reinos, pensar-nos como os reis de si. Essa bruxa nos diz isso, com cada flor de jasmim que ela nos da e o chá de gengibre que nos serve, assim nos mantendo aquecidos, aquecidos com calor dos afetos. Ela clama que seja construído por nós o máximo de laços com as existências, ela clama amor. Muitos a perseguem por não saber lidar com as praticas pagãs da mulher, a perseguem pelo arquétipo do feminino, a perseguem por se ela e não ele. Ela aceita e as vezes morre, outras vezes resiste e sobrevive.


Um dia eu a pedi para ver quem ela era e como ela era, mostrou-se, depois me pegou pela mão, levou-me até o espelho, mostrando-me o meu próprio reflexo e depois apontou para janela, num sentido que eu pude perceber que ela falava do mundo todo. Disse que ela era tanto o eu, como o outro e o mundo, sendo dessa mesma forma ela mesma. Existimos no outro, no mundo e em si, existimos nos laços que construímos. Eu existo em tudo que amo. 

Igor II

Eu sou Igor, inquestionavelmente Igor, o Igor, depois de me conhecer não haverá duvida. Pode espalhar, os outros são os outros e eu sou EU. Vai entender, pode perguntar se houver necessidade, é uma questão de tempo para que você saiba, mas já pude perceber que você já sente. Não resista, você não vai ganhar e vai ceder. Eu prometo que vai gostar. Eu sou Igor e você não vai me esquecer.