quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ela

Mulata, assim de ancas largas, meio gorda só que totalmente firme. Sempre com os ombros a mostra e os mamilos grandes por vezes vistos de relance. Sorriso que convida a rir com ela, mesmo quando ela está a rir de você. Não sabe falar de si, mas conta tudo sobre a vida só com os movimentos do quadril. Os quadris tem vida, sabia? Nunca vou esquecer os dela. Louca e feliz, mesmo quando está infeliz. Todos que a conhecerem serão eternamente gratos por ela existir.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Bocejo

As expectativas do cotidiano normalmente são poucas, nos olhos ordinários poderíamos dizer que são nulas. Queria ter esses olhos, poder não esperar a todo momento a transformação de uma vida , olhar para as coisas com a mediocridade que elas merecem, mas fantasiar é uma condição inerente do meu ser, tornando quase impossível distinguir entre a realidade coletiva e a minha própria. No meu mundo focinho de porco é tomada e eu não sei lidar. Não consigo lidar com as minhas próprias criações, vocês podem achar que sou assim para chamar atenção ou é uma medida desesperada por ajuda, um grito. Talvez seja isso, eu mesmo não sou capaz de decifras as razões de existir assim. Minha aposta é que realmente é um pedido de ajuda, para me tirar desse tedio que a vida vulgar imposta a mim, me proporciona.Estou fadado a entrar pra história.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Flor da Noite

Todos os impulsos levados a senhora de destino duvidoso, não eram uma prova de deus ou de reino curto. No calar da noite vinha até ela a janela de genialidade que durante os dias era fechada, já que a vida pulsante do dia a fazia desistir de pensar, desistir de si. Nada como por do sol para aquietar os fluidos energéticos humanos, perdoai-vos por não saberem nada da simpatia atemporal dos gritos mudos da noite, eles gritam de sua cabeça pra tinta. Abusa de muitos enigmas pra dizer coisas simples, como tenho medo ou gosto de você. Agradece toda a dor por tira-la de forma furtiva do tédio, é sim uma flor da noite e sim ela está morrendo.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Carolina

É inegável a nossa maldição. Amor infame e perverso que nós temos. Como não conhecer-nos empiricamente, assim no desejo da carne. Queria tanto mais que querer conseguir seu toque com bom grado e oferecer-te o meu da mesma forma, minha querida amiga, estamos condenados a ser amantes que não se amam no sentido erótico da palavra. Nenhum toque delas lhe causa mais arrepios que minha pena nesse momento, eu sei. Todos homens que recusam minhas caricias o fazem bem, pois nunca serão como seriam pra ti. Infelizmente somos um casal que não se deita juntos a cama e nunca seriamos ou seremos isso, você é minha família e eu sou nobre rapaz. O martírio do amor errôneo nos acompanha na eternidade dessa cumplicidade, mesmo que isso seja apenas uma revelação lúdica da minha realidade momentânea.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O clímax de todo evento, a troca que forma uma história. O confronto do olhar gera uma substantiva intimidade pontual, tanta coisa é dita no silencio profundo de cada olho, te digo tanto sobre mim e você repete esse movimento involuntário de invasão dos nossos interiores. Acho que por vezes antes de olharmos nos olhos deveríamos pedir licença, já que no meu olhar pro seu olhar eu me explodo em mil e me torno seu.

domingo, 14 de abril de 2013

Inconsciente

Não sei qual é o bairro, mas é bem familiar, acho que é Ipanema. Do nada começa tocar uma musica que automaticamente me lembra de senhora do destino, eu comento com todos a minha volta e ninguém se lembra, sou mesmo um fã de novelas. Não acredito, é a Susana Vieira ali em cima, só pode ser o destino, tenho que pedir pra tirar uma foto. Ao me aproximar e fazer o pedido fui atendido com muito carinho mas por algum motivo não conseguíamos que a foto fosse tirada e com o meu movimento muitos vieram também e logo tumultuaram tudo. Saí desolado da muvuca, mas antes de partir Susana me agarra pelo braço e me convida pra um passeio, todo bobo fui. Conversamos horas sobre nada e no final compramos cachaças, compramos só as melhores, olhei pro lado e era noite, olhei pro outro e Susana não estava mais lá, nem era mais onde eu estava com ela. Surge do nada um flerte do passado e um grande amigo, ele me chama como se ali tivéssemos marcado, vamos pra casa dele e lá está um diferente grupo de amigos, não lembro bem da forma do apartamento, só lembro dela me impressionar. Por algum motivo, eu e o flerte, temos que ir a rua, no trajeto pra lugar algum nos beijamos e damos um inicio a umas das conversas mais constrangedoras que eu já tive em minhas realidades, ele me explica que no apartamento que estamos não podemos fuder, mas que tem um em botafogo que é tranquilo, mas lá o pai dele ia ter que nos assistir e que isso é um problema pra ele, não diga. O tesão era tanto que considerávamos a possibilidade de botafogo, ele me perguntou o que eu tava sentindo, só respondi que eu sinto tesão a todo momento que por ele era muito mais, ele disse o mesmo, mas acabamos não trepando. O dia seguinte foi muito mais que o próximo dia, parecia uma eternidade, acordamos já não mais na casa do flerte e sim na minha cidade natal, vim do campo, do interior do estado. Eu e o flerte éramos namorados e lá estávamos eu, ele e uma amiga que eu acabei de fazer, ela veio do sul. Do nada ele me some e eu ouço uns barulhos do mato, jogo uma pedra e sai do mato uma cobra enorme, do tamanho de um sofá, amarela e laranja, maravilhosa. Eu me tremo todo, mas ela que veio do sul pega uma vassoura pra espanta-la, mas não surtiu efeito e ela entrou na casa em que estávamos, eu subo em algo e fico com a vassoura batendo no chão, estou desesperado. Ela passa por mim e entra num quarto, a flor vinda do sul vai atrás e a expulsa do quarto, nisso a cobra tenta entrar em outro quarto e eu vou pra impedir que isso aconteça, mas nisso eu caio e a ultima coisa que eu vi antes de acordar foi a cobra me olhando pronta pra dar um fim nisso.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Pulsante Indiferença do Ser

São 6:33 da manhã e meu cérebro funciona mais do que nunca, acho que isso reflete muito o que nós somos agora, não guardamos os temores e buscas por amor, ou apreciamos as loucuras das paixões, só queremos e somos a futilidade do estar. Opa outra filheirinha, vai um doce? Suave. Estou pulsando tédio e desapego, não lido e não gero mais laços profundos e não tenho numa identificação com os meus old folks , só um rímel borrado, um nariz sujo e um pensamento que flui 15 mil vezes mais rápido que de todos vocês, sou um gênio. Tem esses caras que morreram com 27, eles eram tão profundos e sentiam mil coisas, mil magoas e não suportaram toda dor mundo, eu só não ligo, talvez eu morra aos vinteesete, mas com certeza vai ser por tédio. Talvez esmagada nas ferrugens de um carro que a mil por hora estava, só pra me fazer sentir, não sinto nada, sou blindado. Dizem que com vinteeum nós nos sentimos bulletproof, te digo uma coisa, eu não me sinto assim, eu sou, infelizmente. Passo horas perambulando madrugada fora esperando uma facada ou uma caceta, esperando por algo que me tire deste estado infame, mesmo que eu sai nas páginas policias, que nojo pareci um velho falando. Outro dia cheguei muito doida, louca do cu e minha mãe me disse, você vai morrer, eu respondi , acorda vadia, nós já estamos morrendo. Se não fosse tão clichê cortava os pulsos, mas morrer assim seria tedioso e eu nem conheço a porra do francês, referência clara a Camila de nome próprio(veja esse filme). Na gringa eu só poderia beber legalmente agora, nossa ainda bem que eu tô no Brasil. Então você quer me comer? Não, então foda-se. Eu sou genial, não me canso de lembrar disso, principalmente quando me defronto com a sua existência, essa é o marco da minha geração, viver ao máximo pra morrer jovem e linda, afinal nada mais importa.