segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dialogo

- Você me ama?- perguntou Lia
- Como eu posso saber?- respondeu Cezar
Aos berros retrucou
- Caralho, como você me responde uma pergunta desse tipo, com outra pergunta?
Muito sereno retrucou
- Eu não sei o que é o amor pra você, então como eu posso dizer que eu te amo, se saber o que é o amor?
Ela cortou o longo dialogo
- Porra você podia dizer sim, sem ficar ai relativizando, sabe quando eu te conheci eu achava esse seu jeito sensual, mas você ainda é o mesmo pré-adolescente pelo qual eu tive interesse.
Cezar tenta argumentar, mas antes de conseguir Lia o agarra pelas pernas e o encara e continua.
- Porra cara, quando você me come você, nem ao menos me olha nos olhos, eu quero que você me foda e me encare, eu te amo, ainda te amo.
Ele já não tinha o que falar, agarrou-a pelos cabelos e a comeu como nunca tinha feito. No dia seguinte terminou o namoro, pois não agüentava esse tipo de pressão que ela fazia.

domingo, 11 de abril de 2010

Homo

Homos levanta o dia como vento dos cantos, que vão levando a poeira dos sonhos tristes, que não chegam a ser pesadelos. Dentro de casa príncipe jovem existe sangue de rei dos campos, a morte assombra o nobre como a fome assombra o pobre, queria eu temer mais que temer o nada cheio de fabulas, mas sou tão nobre quanto pobre, sou sonhador, não sou, sou homos que levanta o dia como vento dos cantos, que assopram minha poeira.

terça-feira, 23 de março de 2010

Nostalgia

Pela primeira vez eu vou me expor num texto, na verdade pela primeira vez não esconderei minha faceta atraso de uma personagem. Eu tive bons amigos no passado, num passado não tão distante, construímos memórias belíssimas, que não servem de nada, além de me causar uma terrível dor, dor de nostalgia, hoje estava eu limpando meu Orkut e decidi que eliminaria essas pessoas da minha vida, mas quando eu fui apagar o mais distante, idiota e que eu nunca o considerei como amigo, eu senti uma dor tão grande de perda, a mesma dor quando eu vivi enquanto eu via meu avô sendo enterrado e pior que eu mesma a causava essa dor, não tenho motivos pra ser sado maso, de jeito algum. Decidi odiá-los, mas como posso o odiar aquilo que um dia eu amei mais que tudo?
Eu simplesmente não posso odiar essas pessoas, nem ao menos esquecê-las, eu decidi deixá-las ali no meu grupo de amigos no Orkut, sendo a classe mais inferior de conhecidos, porque hoje aceitamos quaisquer um lá, é cool ter milhões de amigos naquela merda, sendo o mais distante que posso ficar sem ter essa dor me perturbando cada minuto do meu dia, como eu odeio essa nostalgia, como eu odeio amá-los, se estivessem mortos eu já os tinha superado, eu espero que morram logo, pois eu já não agüento mais a dor da saudade, eu já não agüento fato que eles me superaram. Então vou eu desativar a possibilidade de ver os meus visitantes recentes, para que eu possa segui-los e saber de suas vidas, sem que eles saibam de minha nostalgia.

terça-feira, 16 de março de 2010

Faminta

Clara não merecia a dor que sentia toda vez que ousava tentava amar Rodrigo, ele carregava um monstro entre as pernas que adentrava seu corpo com fome. A coitada não ficava sem voz com os berros que dava durante a noite por algum milagre, eu nunca entendi como ela continua a servir aquele ogro, que no meio dos berros havia suspiro de alegria e até prazer. Eu mesma Ana Guimarães já vi a criatura de Rodrigo, eu só a beijei, não tive coragem, mas aquilo tem fome de tão grande, entra nela arrancando seu ventre, arranca seu ar e destruindo suas barreiras e tornando-a impura, suja e lúdica.
E agora eles foram embora, pra tão distante me deixando faminta, de curiosidade, de necessidade e de medo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

oco

A dança dela já mais dócil, antes ela era rústica e grotesca, agora ela é linda, educada e fina, antes não era nada, era suja e era burra. Alice foi domada, destruíram sua essência de bicho, fizeram dela uma dama digna de cortejo, mas com tanta mudança fizeram-na morta.
Alice não apreciava a vida, ela não era dona de seu corpo e nem de seu destino, mas sim corpo e o destino imposto eram donos dela, fria e vazia viveu sua vida.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ser

Ela de baixo do choveiro sentia sua alma sendo lavanda, tocava seus seios e depois seu ventre, sabendo que tudo tinha acabado, aquela relação que já não tinha vida e amor. Receiava pelos planos e lembranças, que com ele tinha construido, mas também sentia alivio de não ter tido ódio, o fim era levado junto com água que descia pelo seu corpo, sentindo-se livre pra ama-lo, como já não mais podia, sentia liberdade para ter saudades de tudo que havia vivido. Mão que levava o desenho de suas formas, não sentia mais a prisão de sua alma, limpida ou suja, mas livre do medo de odiar aquele que foi seu amor.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nada como uma linda família- texto 1

Engraçado que às vezes quando acordamos numa manhã de sol, que percebemos como o ódio nos consome e que ele é sim o sentimento mais potente e presente nas nossas vidas. Foi num dia desses que Lúcia puxou o gatilho, não mais a fim de aturar a vida com a aquelas frustrações, ela resolveu matar, sim ela era covarde para um suicídio, mas ela, como todo mundo, tinha um culpado por todas as suas desventuras, seu querido pai. Obcecada pelo ódio com o antagonista planejou a beira mar como o mataria, toda a sua vida com ele foi passando, por algum acaso as lembranças trouxeram mais ódio do que ela sentia na manhã. Chegou a conclusão que alguns tiros seriam mais fáceis de encobrir, mas como não tinha uma arma, contentou-se com uma faca.
Ao ver seu pai ali na sua frente, resolver compartilhar sua dor e tudo que ele havia feito com que ela se sentisse, chorando e frágil, ele olhou pra ela e suas palavras ecoaram, “eu nunca te amei.” Ela sussurrou, “eu sei.” com uma habilidade surpreendente dilacerou a garganta do seu velho pai e continuou, “e por isso não tenho remorso algum pelo que acabo de fazer, papai.”