Parada em frente ao espelho do banheiro, Ana se olhava, sorriu, pôs o cabelo para trás da orelha, pegou a navalha do irmão e dilacerou os pulsos. Não deu nem um grito, reprimiu toda dor, um pouco em êxtase olhava seus fluidos escorrerem para o chão de ladrilhos, um banheiro grande e iluminado.
No fluxo do sangue foi lembrando em ordem contrária do que a fizera estar ali morrendo, lembrou-se da dor, da angústia e incertezas de toda uma vida, muito curta, uma menina de 20 anos, aparentemente feliz, mas julgava-se sem sorte, ela com as mãos dormentes e zonza sentou-se e encostou na parede, sentada numa possa de sangue riu, pois lembrando das duas outras fezes que suas pernas se sujaram de sangue, a segunda quando pela primeira vez foi penetrada, ela não se lembra bem de como ou quando foi penetrada mas lembra do sangue e do prazer, a outra foi na sua primeira menstruação, lembrou-se da angústia que sentirá, mesmo com os alarmes de sua mãe de que em algum momento ela sangraria pelos ventres, ela não pode se sentir nada mais do que envergonhada e diferente, sentiu-se mulher. Nunca seria mãe ela pensou, não saberia o que é amar como uma mãe, pois sabia que seria o amor mais puro, o amor mais bonito e o mais doloroso, e com isso percebeu que perderia todo sentimento do mundo, e que já não mais sentira em suas mãos, ou em sua alma toda a dor, ódio, tristeza e amor, na verdade sentir por sentir é que lhe importava, transtornada não queria perder tudo que importava, sua capacidade de sentir, sua vida, tentou gritar, mas já não tinha forças, já não tinha vida, sua luz apagou e sem forças desmaiou.
Acordou num quarto de hospital e se sentiu envergonhada e indignada por ter falhado, mas tão grata, tão grata por poder tentar tudo de novo.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Batom da Viuva -Negra
Ao chegar em casa trajando seu luxuoso longo preto, seu véu também preto e com uma maquiagem pesada na face, Beatriz pode respirar, finalmente a alforria, de cinco décadas de maus tratos, chegou ao fim. Começou despindo o véu e desmanchando o coque perfeitamente feito ainda no hall do apartamento, enorme e vazio, passou flutuando pela sala com seus longos e belos cabelos brancos soltos, ouvindo o mórbido silêncio ricocheteando as parades de sua casa, pois havia dispensando as empregadas naquele domingo cinza.
No quarto despiu-se, olhou seu corpo enrugado no espelho e riu-se de tola que era, sentou na frente da penteadeira, para finalmente retirar a maquiagem pesada feita para dar ilusão de caira em prantos com o saber da morte de seu marido, enquanto a verdade era que o seu estado de espirito era de êxtase. Agora, natural, pôs uma camisola feita do seu vestido de noiva e resolveu comer uma deleciosa refeição que ela mesma iria preparar.
Na cozinha preparou-se para cozinhar seu prato prediléto, que Aureo detestava e por isso a proibira de comer, tão contente, semi-nua e perdida estava a cozinhar. Quando a refeição estava pronta e foi arrumar a mesa tão tonta serviu dois lugares, gargalhou da peça que sua memória havia pregado e atirou prato, taça e talheres contra a parede, assim percebeu que seu único companheiro estava morto, comeu angustiada por sua recente descoberta, já anoitecia e ela não sabia o que fazer.
Sentada na poltrona dele, seu opositor, maior inimigo e único companheiro, já morto, que tinha uma enorme vista para principal janela de seu apartamento, debulhava lágrimas no ritmo da tempestade, que naquele momento lavava sua memória suja e seus medos crônicos. Quando a tempestade ia chegando ao fim, sua lágrimas iam secando das suas rugas de seu rosto, por fim já não havia medo.
Na sua cama passou horas acordada, apenas recordando, até que caiu no sono, depois viveu plenamente feliz e completamente só, entendendo antes de seu fim que aquilo era a proposta de sua liberdade.
No quarto despiu-se, olhou seu corpo enrugado no espelho e riu-se de tola que era, sentou na frente da penteadeira, para finalmente retirar a maquiagem pesada feita para dar ilusão de caira em prantos com o saber da morte de seu marido, enquanto a verdade era que o seu estado de espirito era de êxtase. Agora, natural, pôs uma camisola feita do seu vestido de noiva e resolveu comer uma deleciosa refeição que ela mesma iria preparar.
Na cozinha preparou-se para cozinhar seu prato prediléto, que Aureo detestava e por isso a proibira de comer, tão contente, semi-nua e perdida estava a cozinhar. Quando a refeição estava pronta e foi arrumar a mesa tão tonta serviu dois lugares, gargalhou da peça que sua memória havia pregado e atirou prato, taça e talheres contra a parede, assim percebeu que seu único companheiro estava morto, comeu angustiada por sua recente descoberta, já anoitecia e ela não sabia o que fazer.
Sentada na poltrona dele, seu opositor, maior inimigo e único companheiro, já morto, que tinha uma enorme vista para principal janela de seu apartamento, debulhava lágrimas no ritmo da tempestade, que naquele momento lavava sua memória suja e seus medos crônicos. Quando a tempestade ia chegando ao fim, sua lágrimas iam secando das suas rugas de seu rosto, por fim já não havia medo.
Na sua cama passou horas acordada, apenas recordando, até que caiu no sono, depois viveu plenamente feliz e completamente só, entendendo antes de seu fim que aquilo era a proposta de sua liberdade.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Matriarcal
Tire o cabelo do rosto, não seja desleixada, por favor, penteie-se, assim não arranjará homem, ou mulher, ou amante algum. Assim toda desengonçada não terá atenção que merece, tão naturalmente bela sendo um estorvo, ah garota não deixe sua família envergonhada, seria a única garota dessa casa mal-amada , como isso nos afetaria, vamos ponha um vestido curto, pinte-se e domine sua lindas madeixas , vamos que já está anoitecendo e como sempre a casa estará cheia, cheia de futuro esperança para todas nós todas, afinal você quer ter o que comer amanhã, certo? Pois bem, sabia que quando a acolhi que iria trabalhar, pois bem.
Uma garota como você, mesmo deflorada não iria morar aqui fazendo faxina, se entre suas pernas muitos irão querer explorar, ira fazer fortuna, quem sabe até uma casa como essa ter, sabe que alguns deles quando apaixonados são bem generosos, os homens e mulheres que aqui freqüentam possuem fortunas, com tempo ensiná-la-ei tudo para agradar seus amantes. Esse beijo que dou em sua testa é só para que saiba que é minha favorita e não se esqueça de um belo decote.
Uma garota como você, mesmo deflorada não iria morar aqui fazendo faxina, se entre suas pernas muitos irão querer explorar, ira fazer fortuna, quem sabe até uma casa como essa ter, sabe que alguns deles quando apaixonados são bem generosos, os homens e mulheres que aqui freqüentam possuem fortunas, com tempo ensiná-la-ei tudo para agradar seus amantes. Esse beijo que dou em sua testa é só para que saiba que é minha favorita e não se esqueça de um belo decote.
sábado, 28 de agosto de 2010
Motivação
De novo ele chega em casa num estado deplorável, ainda posso sentir o cheiro das calcinhas baratas que ele pegou. Estou aqui trancada no quarto enquanto ele destrói a sala de estar, nunca pensei que homem vindo de família rica fosse desse feitio, mas nenhum membro dele ira me perfurar essa noite, por isso sei que meu rosto sentirá o peso de suas mãos.
Quando jovem o via tão elegante passar por mim, tão belo como sempre o fora e flertando comigo, fui uma boba em ver amor nos ritos sociais. Agonia do bêbado me violentar eu sinto agora, de tantas lágrimas não posso ler a primeira parte do que escrevi, essas lágrimas de medo caem pesadas nas páginas desse diário, que contem meus segredos, queria ter coragem para ser adultera, mas nem para vingança de adultério eu sou criada, como irei eu me defender de suas agressões.
Ele não sabe, mas eu estive grávida, livrei a criança desse monstro, não poderia fazê-lo viver no terror que eu vivo, estou tão fodida que nem a alegria de ser mãe eu vou ter, mas não digo isso a ninguém. nunca vou admitir que isso que todos acham que é um sonho na verdade é um pesadelo, afinal as putas que ele come não freqüentam nosso circulo, se ele pensar em me largar eu o mato antes, pois antes de tudo meio orgulho está intacto.
Quando jovem o via tão elegante passar por mim, tão belo como sempre o fora e flertando comigo, fui uma boba em ver amor nos ritos sociais. Agonia do bêbado me violentar eu sinto agora, de tantas lágrimas não posso ler a primeira parte do que escrevi, essas lágrimas de medo caem pesadas nas páginas desse diário, que contem meus segredos, queria ter coragem para ser adultera, mas nem para vingança de adultério eu sou criada, como irei eu me defender de suas agressões.
Ele não sabe, mas eu estive grávida, livrei a criança desse monstro, não poderia fazê-lo viver no terror que eu vivo, estou tão fodida que nem a alegria de ser mãe eu vou ter, mas não digo isso a ninguém. nunca vou admitir que isso que todos acham que é um sonho na verdade é um pesadelo, afinal as putas que ele come não freqüentam nosso circulo, se ele pensar em me largar eu o mato antes, pois antes de tudo meio orgulho está intacto.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Voyeur
Era triste que sua beleza era tudo que ele tinha a oferecer, seu mundo repleto de futilidades não tinha alma de herói, ao menos ele poderia usar heroína. Calado era magnífico só que quando abria a boca era o verdadeiro horror.
Desolada vive nossa romance, eu era uma verdadeira voyeur a nossa a vida a dois, não me interessava pela sua vida, as vezes ele perguntava por mim, sobre mim, eu simplesmente o beijava, calando-o por fim. Ele não servia para conversar e falar sobre minha vida gastaria muito tempo.
A verdade que eu era tão bela quanto ele, pensava em manter nossa relação pela futura cria, mas não o apresentava aos meus amigos, a minha família e sequer a minha casa, mas eu gostava tanto de olhar para ele.
Uma noite em seu apartamento ele me disse “ Rosa, eu te amo” eu o olhei como sempre, levantei olhei-me ao espelho e não responde, nesse momento Victor levantou da cama e bateu com o meu rosto no espelho, eu desmaiei. Quando acordei tinha pontos no rosto e estava em um hospital, depois disso nunca mais ouvi falar de meu belo menino vazio.
Desolada vive nossa romance, eu era uma verdadeira voyeur a nossa a vida a dois, não me interessava pela sua vida, as vezes ele perguntava por mim, sobre mim, eu simplesmente o beijava, calando-o por fim. Ele não servia para conversar e falar sobre minha vida gastaria muito tempo.
A verdade que eu era tão bela quanto ele, pensava em manter nossa relação pela futura cria, mas não o apresentava aos meus amigos, a minha família e sequer a minha casa, mas eu gostava tanto de olhar para ele.
Uma noite em seu apartamento ele me disse “ Rosa, eu te amo” eu o olhei como sempre, levantei olhei-me ao espelho e não responde, nesse momento Victor levantou da cama e bateu com o meu rosto no espelho, eu desmaiei. Quando acordei tinha pontos no rosto e estava em um hospital, depois disso nunca mais ouvi falar de meu belo menino vazio.
Caro Senhor
Não posso mais servi-lo, não sei mais estar a sua sombra, querido, eu me pergunto como vai viver sem minhas coxas? Não poderá eu sei, mas isso não me importa agora, não sou sua menina e você já não é um rapaz.
Claro que me lembro dos dias de sol e também das noites frias sozinha no moquifo que me deste. Eu não quero mais te tocar, que nojo seu corpo sobre o meu, não vou passar minha vida sem família, apesar de todos saberem que eu sou uma verdadeira vadia, então se lembre, deixe aquela quantia, que a vida tá cara, para mulher sozinha qualquer.
Não vou deixar você partir, sem uma ultima dança. Comporte-se e tocará meus seios, sentirá minhas pernas e beijará meu ventre, só que não terá meus lábios.
Claro que me lembro dos dias de sol e também das noites frias sozinha no moquifo que me deste. Eu não quero mais te tocar, que nojo seu corpo sobre o meu, não vou passar minha vida sem família, apesar de todos saberem que eu sou uma verdadeira vadia, então se lembre, deixe aquela quantia, que a vida tá cara, para mulher sozinha qualquer.
Não vou deixar você partir, sem uma ultima dança. Comporte-se e tocará meus seios, sentirá minhas pernas e beijará meu ventre, só que não terá meus lábios.
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