terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

oco

A dança dela já mais dócil, antes ela era rústica e grotesca, agora ela é linda, educada e fina, antes não era nada, era suja e era burra. Alice foi domada, destruíram sua essência de bicho, fizeram dela uma dama digna de cortejo, mas com tanta mudança fizeram-na morta.
Alice não apreciava a vida, ela não era dona de seu corpo e nem de seu destino, mas sim corpo e o destino imposto eram donos dela, fria e vazia viveu sua vida.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ser

Ela de baixo do choveiro sentia sua alma sendo lavanda, tocava seus seios e depois seu ventre, sabendo que tudo tinha acabado, aquela relação que já não tinha vida e amor. Receiava pelos planos e lembranças, que com ele tinha construido, mas também sentia alivio de não ter tido ódio, o fim era levado junto com água que descia pelo seu corpo, sentindo-se livre pra ama-lo, como já não mais podia, sentia liberdade para ter saudades de tudo que havia vivido. Mão que levava o desenho de suas formas, não sentia mais a prisão de sua alma, limpida ou suja, mas livre do medo de odiar aquele que foi seu amor.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nada como uma linda família- texto 1

Engraçado que às vezes quando acordamos numa manhã de sol, que percebemos como o ódio nos consome e que ele é sim o sentimento mais potente e presente nas nossas vidas. Foi num dia desses que Lúcia puxou o gatilho, não mais a fim de aturar a vida com a aquelas frustrações, ela resolveu matar, sim ela era covarde para um suicídio, mas ela, como todo mundo, tinha um culpado por todas as suas desventuras, seu querido pai. Obcecada pelo ódio com o antagonista planejou a beira mar como o mataria, toda a sua vida com ele foi passando, por algum acaso as lembranças trouxeram mais ódio do que ela sentia na manhã. Chegou a conclusão que alguns tiros seriam mais fáceis de encobrir, mas como não tinha uma arma, contentou-se com uma faca.
Ao ver seu pai ali na sua frente, resolver compartilhar sua dor e tudo que ele havia feito com que ela se sentisse, chorando e frágil, ele olhou pra ela e suas palavras ecoaram, “eu nunca te amei.” Ela sussurrou, “eu sei.” com uma habilidade surpreendente dilacerou a garganta do seu velho pai e continuou, “e por isso não tenho remorso algum pelo que acabo de fazer, papai.”

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fim

Ele entrou pegando-a pelo pescoço e a deixando sem ar, a morte era seu desejo, a vida já não interessava mais a ela, mas que conveniente?
Só que ele era fraco demais, ainda apaixonado pela puta que destruir sua vida, ela não entendia sua fraqueza não era dessas, que choram, que parecem e que são santas, olhava para ele com desprezo e confusão, ele irado chutava as pernas de Lucia, Lucia ria da cara de Veríssimo, ele chutava com mais força. Os dois sabiam que dos chutes ele não passaria então ela resolveu levantar-se, pegar a arma que ela guardava na penteadeira, cuspir-lhe a cara e atiras 5 vezes no abdômen dele.
Morto por ela caiu no chão, ela pensou já que a proposta era matá-la desde os principio, que seria demasiado errado não atender o ultimo pedido de Veríssimo, botou a arma na boca e estourou os miolos, caiu as pés dele. Por ser uma casa de campo ninguém ouviu os tiros, então os corpos ficaram lá tanto tempo que quando foram achados nem puderam reconhecê-los, foram enterrados como mero indigentes, um nobre burguês e uma puta de classe.

sábado, 10 de outubro de 2009

Lá na terra dos broncos, ela menina-mulher não se deixa abater, mas um dia a força do sujo e seus desejos a possuíram. Em seus seios uma marca de guerra foi deixada, com peitos nus e marcados ela caminhou.

Chegou a uma rameira falante que a amavelmente a socorreu, dizia-a que entendia suas dores, entretanto a pobre coitada nada sabia sobre Bianca, assim perdida levou-a ao vilarejo que a menina-mulher freqüentava, lá elas encontraram um nobre infante que friamente a socorreu.

Nem ele compreendeu seu coração que sempre foi gélido palpitava no ritmo do choro de Bianca, seu desejo de proteção e seu estranho afeto tornaram-se medo e culpa. Sua alma banhada de vergonha fez menos do que poderia, porem conseguiu resguardar a idéia de honra que todos e nem todos possuíam dela.

Feridos, O Nobre-Infante e A Menina-Mulher se olharam, tentaram, mas não conseguiram sorrir, sem abraço ou despedida. Eles dormiram pra tentar esquecer.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Meu Amor.

Ele olho nos olhos dela e disse:
- Nada posso comparar com seu toque, não há nada que eu possa querer além de você. Inqüestionável é, eu te amo.
Ela assustada com a declaração, ficou calda e por um instante e retrucou:
- Mas eu não te amo. Aos pé de Amanda ele caiu, ela abaixou até Claudio e continuou:
- E nunca amarei, você e nenhum outro, mas posso oferecer o toque que tanto deseja, ofertar meu corpo e minha luxúria. Por uma ultima vez.
Claudio tremeu com as ultimas palavras de Amanda e questionou, entre gemidos e lágrimas.
- Por que uma ultima vez? Sem pensar, Amanda respondeu.
- Não vou ficar me deitando com chorão, muito menos com um homem apaixonado por mim.
Levantou-se e conclui
- Amanhã será sua ultima noite, uma pena estar nesse estado deplorável, senão resolveria hoje mesmo.
Virou-se e partiu sem olhar pra traz.

domingo, 6 de setembro de 2009

Falácias Da Revolução

Constantes momentos nos sentimos revolucionários, mas que belos palhaços são aqueles, que aceitam as mesmices de sertão árido e escasso. Já mudou! Pois o gordo de sangue azul não é mais a quem devo servir, não somos mais as fezes do Reino Divino e a Louca não deve ser salva. Agora sou a graça de um império, que nem divino é mais. Eles abusam de do meu doce e usam nossas mulheres como se fossem putas desalmadas, nos chamam de cucarátios. Sou cucarátio, mas não sou palhaço imperial . Ousam dizer que meus irmãos, dominadores da arte de compartilhar, enquanto fumam seus divinos charutos, que são os vilões da união. Escravizam-nos e não vemos, fazem que os meus acreditem que vivemos em mundo ideal, mas honestamente acho que aqui é o umbral, contam que a revolução é apenas uma falácia, entretanto verossímil é contar, que dessa terra de cucarátios nascerá a revolução dos sonhos.