terça-feira, 14 de junho de 2011

Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.
William Shakespeare

Ela lia essa frase tantas e tantas vezes, finalmente entendeu que a dor confusa que somente ela e somente ela sentia era facilmente dominado por todos os outros a sua volta, é isso. Descaso, nunca ouvira um pedido de desculpas, fora humilhada e ninguém a defendeu. Geni, fora pela primeira vez apedrejada pela opinião publica, mentira, mas pela primeira vez isso a abalou, como se não fosse bastante fora humilhada pelo abandono e esquecimento de sua mãe, enquanto ela chora, a mãe a olhava e dizia, não reconheço seu rosto, de tão incrédula ficou cegamente crédula desse esquecimento, mas logo foi corrompida por seus queridos companheiros que a alertaram da natureza malvada de sua mãe, agora sobrou a dúvida e a ofensa, porque mesmo desmemoriada esquecer-se dela foi por de mais ofensivo.
Mas todos parecem viver bem suas vidas ao lado daqueles que a ofenderam, ai vem a dúvida de Geni, será que seu amigos, amores e servos são leais a ela, será que vive eterno da mentira de um amor desonesto, logo ela que sempre fora honesta ao menos com seus aliados, ela é amada, por pelo menos alguns, dos quais ela não duvida, mas os outros que levam seus sonhos embora e aqueles que já a esfaquearam e vieram numa praça cinza perguntar, por que ela havia exilado eles de seu reino, ela perdoa, Geni é boa, mas parece má, mas ela é boa, devia ser má, há de ser má e quando for, todos vão me pagar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Eu nunca vou permitir
Que você me toque
E nem se aproxime
De mim
Vou manter você atrás do muro
Frio
Enlouquecido, querendo abrigo
E não vou me importar
Com nada
E não adianta nem tentar
Que não vai levar
Meus sorrisos, meus olhares
Eu sabia que iam ser mal vistos
Mas idaí? Não posso apagar o que foi feito
Pela a gente
Eu ri não foi de amor
Olhei, foi com pudor
E você só pensou sujeira
Diga agora
Se o que você pensa é problema
Diga agora que você não explodiu
Em erupção pensando em mim?
Não diga que você só viu o que queria ver
E temeu o que você sentiu
Temeu a mim
Não diga

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Fluidos

Parada em frente ao espelho do banheiro, Ana se olhava, sorriu, pôs o cabelo para trás da orelha, pegou a navalha do irmão e dilacerou os pulsos. Não deu nem um grito, reprimiu toda dor, um pouco em êxtase olhava seus fluidos escorrerem para o chão de ladrilhos, um banheiro grande e iluminado.
No fluxo do sangue foi lembrando em ordem contrária do que a fizera estar ali morrendo, lembrou-se da dor, da angústia e incertezas de toda uma vida, muito curta, uma menina de 20 anos, aparentemente feliz, mas julgava-se sem sorte, ela com as mãos dormentes e zonza sentou-se e encostou na parede, sentada numa possa de sangue riu, pois lembrando das duas outras fezes que suas pernas se sujaram de sangue, a segunda quando pela primeira vez foi penetrada, ela não se lembra bem de como ou quando foi penetrada mas lembra do sangue e do prazer, a outra foi na sua primeira menstruação, lembrou-se da angústia que sentirá, mesmo com os alarmes de sua mãe de que em algum momento ela sangraria pelos ventres, ela não pode se sentir nada mais do que envergonhada e diferente, sentiu-se mulher. Nunca seria mãe ela pensou, não saberia o que é amar como uma mãe, pois sabia que seria o amor mais puro, o amor mais bonito e o mais doloroso, e com isso percebeu que perderia todo sentimento do mundo, e que já não mais sentira em suas mãos, ou em sua alma toda a dor, ódio, tristeza e amor, na verdade sentir por sentir é que lhe importava, transtornada não queria perder tudo que importava, sua capacidade de sentir, sua vida, tentou gritar, mas já não tinha forças, já não tinha vida, sua luz apagou e sem forças desmaiou.
Acordou num quarto de hospital e se sentiu envergonhada e indignada por ter falhado, mas tão grata, tão grata por poder tentar tudo de novo.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Batom da Viuva -Negra

Ao chegar em casa trajando seu luxuoso longo preto, seu véu também preto e com uma maquiagem pesada na face, Beatriz pode respirar, finalmente a alforria, de cinco décadas de maus tratos, chegou ao fim. Começou despindo o véu e desmanchando o coque perfeitamente feito ainda no hall do apartamento, enorme e vazio, passou flutuando pela sala com seus longos e belos cabelos brancos soltos, ouvindo o mórbido silêncio ricocheteando as parades de sua casa, pois havia dispensando as empregadas naquele domingo cinza.
No quarto despiu-se, olhou seu corpo enrugado no espelho e riu-se de tola que era, sentou na frente da penteadeira, para finalmente retirar a maquiagem pesada feita para dar ilusão de caira em prantos com o saber da morte de seu marido, enquanto a verdade era que o seu estado de espirito era de êxtase. Agora, natural, pôs uma camisola feita do seu vestido de noiva e resolveu comer uma deleciosa refeição que ela mesma iria preparar.
Na cozinha preparou-se para cozinhar seu prato prediléto, que Aureo detestava e por isso a proibira de comer, tão contente, semi-nua e perdida estava a cozinhar. Quando a refeição estava pronta e foi arrumar a mesa tão tonta serviu dois lugares, gargalhou da peça que sua memória havia pregado e atirou prato, taça e talheres contra a parede, assim percebeu que seu único companheiro estava morto, comeu angustiada por sua recente descoberta, já anoitecia e ela não sabia o que fazer.
Sentada na poltrona dele, seu opositor, maior inimigo e único companheiro, já morto, que tinha uma enorme vista para principal janela de seu apartamento, debulhava lágrimas no ritmo da tempestade, que naquele momento lavava sua memória suja e seus medos crônicos. Quando a tempestade ia chegando ao fim, sua lágrimas iam secando das suas rugas de seu rosto, por fim já não havia medo.
Na sua cama passou horas acordada, apenas recordando, até que caiu no sono, depois viveu plenamente feliz e completamente só, entendendo antes de seu fim que aquilo era a proposta de sua liberdade.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Matriarcal

Tire o cabelo do rosto, não seja desleixada, por favor, penteie-se, assim não arranjará homem, ou mulher, ou amante algum. Assim toda desengonçada não terá atenção que merece, tão naturalmente bela sendo um estorvo, ah garota não deixe sua família envergonhada, seria a única garota dessa casa mal-amada , como isso nos afetaria, vamos ponha um vestido curto, pinte-se e domine sua lindas madeixas , vamos que já está anoitecendo e como sempre a casa estará cheia, cheia de futuro esperança para todas nós todas, afinal você quer ter o que comer amanhã, certo? Pois bem, sabia que quando a acolhi que iria trabalhar, pois bem.
Uma garota como você, mesmo deflorada não iria morar aqui fazendo faxina, se entre suas pernas muitos irão querer explorar, ira fazer fortuna, quem sabe até uma casa como essa ter, sabe que alguns deles quando apaixonados são bem generosos, os homens e mulheres que aqui freqüentam possuem fortunas, com tempo ensiná-la-ei tudo para agradar seus amantes. Esse beijo que dou em sua testa é só para que saiba que é minha favorita e não se esqueça de um belo decote.

sábado, 28 de agosto de 2010

Motivação

De novo ele chega em casa num estado deplorável, ainda posso sentir o cheiro das calcinhas baratas que ele pegou. Estou aqui trancada no quarto enquanto ele destrói a sala de estar, nunca pensei que homem vindo de família rica fosse desse feitio, mas nenhum membro dele ira me perfurar essa noite, por isso sei que meu rosto sentirá o peso de suas mãos.
Quando jovem o via tão elegante passar por mim, tão belo como sempre o fora e flertando comigo, fui uma boba em ver amor nos ritos sociais. Agonia do bêbado me violentar eu sinto agora, de tantas lágrimas não posso ler a primeira parte do que escrevi, essas lágrimas de medo caem pesadas nas páginas desse diário, que contem meus segredos, queria ter coragem para ser adultera, mas nem para vingança de adultério eu sou criada, como irei eu me defender de suas agressões.
Ele não sabe, mas eu estive grávida, livrei a criança desse monstro, não poderia fazê-lo viver no terror que eu vivo, estou tão fodida que nem a alegria de ser mãe eu vou ter, mas não digo isso a ninguém. nunca vou admitir que isso que todos acham que é um sonho na verdade é um pesadelo, afinal as putas que ele come não freqüentam nosso circulo, se ele pensar em me largar eu o mato antes, pois antes de tudo meio orgulho está intacto.