Todo dia vivemos essa mesma fantasia da criação do próprio mundo,
nos bitolamos num processo de autopreservação . Sabe-se lá porque eu as vezes
me culpo por isso, por fugir a essa realidade tão cruel que éa vida, de me
recusar a viver na realidade onde a vida é pouco e a dor é naturalizada como um
estigma de culpa em todos, não posso concordar que sou vitima e algoz da minha
própria dor, vivo em negação.
Como posso eu aceitar existir no mundo onde uma pessoa é esfaqueada
mais de vinte vezes no rosto e isso é comum. Ela só queria ser feliz, nós só
queremos ser felizes. Não sei você, mas o caminho da felicidade pode ser
atacado a qualquer momento e fim.
Por mais que eu fuja a vida vem, me acerta na cara toda a
dor e sofrimento do mundo, os professores lutam, as pessoas lutam e eu luto. E
eu estou de luto, que piegas diria, mas o luto move e em movimento me corta a
garganta, mas não vou deixar minha voz morrer.
Preciso gritar, grito, mas ninguém escuta. Esse texto é um
grito, mas ninguém vai ler e se ler não vai entender, pois por mais exposta que
for a vida, a palavra pesa e cai ao sair da boca, e qualquer um pode pegar e
dar a ela o sentindo que quiser. Como eu faço na minha vida criada onde
qualquer um é bom antes de tudo e todo mundo merece amor.